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O Magrelo
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
05 de March de 2010
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- Se eu ganhasse cinco quilos já estaria bom!
Alberto apertava os ossos de sua costela em frente ao espelho enquanto pensava que alguns quilos poderiam esconder a quantidade de ossos que saltavam de seu corpo, principalmente quando aspirava o ar com toda força de seu pulmão.
Estava com 20 anos, e para maior desespero, era muito alto, tinha um pouco mais de um metro e noventa, mas nunca conseguiu chegar aos setenta quilos.
Tentou vários métodos que os amigos lhe aconselharam como tomar dois litros de leite por dia (o que lhe causou uma diarréia que fez emagrecer ainda mais), comeu três barras grandes de chocolate (e a diarréia lhe atacou novamente, sem contar que seu rosto pareceu um chuchu de tanta espinha), tomou inúmeros abridores de apetite, vitaminas, supercalóricos etc, mas quando subia na balança: sessenta e oito quilos.
Seu complexo aumentava ainda mais, ao ver seus amigos, altos ou baixos com o peso na medida certa, alguns mais gordinhos que outros, porém, o pior de tudo e o que mais acabava com a estima de Alberto, era ver que todos tinham ou tiveram um namorico, uma ficada ou até alguma paquera pendente.
- E o magrelo nunca deu um beijo em sua vida. Vinte anos e nem um selinho sequer...
Quase não saia de casa, após terminar o colegial arrumou um emprego noturno em uma confecção. Preferia o horário noturno pois quase ninguém via andando pelas ruas na ida ou na volta do trabalho.

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A gastrite e o sal de frutas
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
20 de January de 2009

  A imagem “http://rodrigojacutinga.com.br/images/stories/sal-de-frutasboa.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
O estômago continua queimando. Acho que exagerei nos pedaços de bolo que minha mãe fez especialmente para mim. O pior não é ficar com vontade de comer bolo e não ter alguém para fazê-lo, o pior é ter alguém para fazê-lo e você sofrer de gastrite e passar mal após o primeiro pedacinho. Não consigo entender como o funcionamento do corpo pode interferir tanto em meus procedimentos cotidianos. Essa gastrite está atrapalhando bastante meus planos. A gastrite começa bem no fundo, nas entranhas do estômago, é uma queimação pequena que aos poucos parece incendiar todo o corpo, deixando-me com uma forte vontade de ficar deitado e sem fazer nada. A boca fica amarga e de vez em quando solto um arroto fino, quase imperceptível, para os outros, mas esse arroto sai da garganta totalmente quente e trás lembranças do bolo que acabei de comer. Se eu não me engano foi minha vizinha quem disse: “suco de couve é bom para a gastrite".

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Por que espirramos quando olhamos para o sol?
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
09 de March de 2009
PreviewFicar resfriado é uma das coisas mais constrangedoras que uma pessoa pode ter. Não é a pior coisa do mundo porque existem doenças muito pior que nem é bom mencionar.
Mas o tal do resfriado é constrangedor porque faz-nos escravos de nossas súbitas vontades de limpar o nariz, tossir e espirrar. Mais constrangedor é estarmos resfriados e ninguém mais estar. Somos os únicos a interromper uma conversa para pegar o lenço ou o papel e assoar o nariz, sem contar a assadura em nosso aparelho nasal e as feridas que sempre arrebentam em nossa boca. As malditas perebas. O pesadelo para quem pretende sair no final de semana para beijar muito. Quem é que vai querer beijar um cara com a boca infestada de pereba? Principalmente se a pereba estiver no estágio de pus.

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O cheiro do fio dental
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
07 de December de 2008
fio-dentalA irresistível tentação de cheirar o fio dental depois de limpar os dentes foi que me fez abraçar a profissão de dentista.
Hoje sou respeitado no meio da odontologia, mas confesso que essa minha pequena “tara”, poderia por em cheque minhas atitudes profissionais e até acabar com minha carreira.
Que culpa tenho de gostar de cheirar o fio dental depois de limpar os dentes?
Comecei desde pequenino, quando cutucava o dente com a ponta de palito de fósforo e depois levava ao nariz. Sei que o cheiro pode não ser agradável para as pessoas, porém, para mim, era como um pedaço de mim, algo passado, que estava preso a mim. Um pedaço de carne, resto de comida que havia almoçado e estava presente ainda em minha boca. Não dá para explicar, só cheirando para descrever o que sentia.

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Meu filho gerado no ralo
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
07 de December de 2008
raloConsidero meu banheiro o local mais agradável de casa. Lá posso realizar minhas fantasias sem ser incomodado por outras pessoas. Principalmente quando estou tomando banho. Mas engana-se quem pensa que tomo banho sozinho. Todo dia levo comigo uma pessoa de meu bem querer para uma orgia sexual saudável. Digo saudável porque em minhas relações não há contato físico e portanto, não existe possibilidades de contração de doenças venéreas
Em minhas relações sexuais na hora do banho vale muito a imaginação. Seja lá quem for minha parceira imaginária, uma amiga, uma atriz ou até mesmo, cá entre nós, a mulher do vizinho.

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Mais vale o torresmo
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
30 de September de 2009
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Eduardinho afogou com a garfada de arroz com ovo. Ficou roxo o coitado do Eduardinho enquanto tossia sem parar tentando soltar os grãos de arroz que entrara pelo canal do nariz. Seu pai continuava comendo seu arroz e nem deu atenção ao rapazola afogando. Sua mãe levantou-se e segurando os braços deu um forte soco nas costas de Eduardinho que cuspiu o arroz para longe, formando uma pequena massa branca com gosma de cuspe.
E seu pai continuava comendo o arroz seco e esquentado que havia sobrado do almoço de ontem.
A pequena Gabriela brincava com a boneca careca. Fazia de conta que a boneca havia se afogado com arroz e dava fortes socos nas costas da boneca. Eduardinho não viu a boneca cuspir o arroz para longe, porque boneca não cospe arroz, muito menos se afoga, mas Gabriela viu o arroz voar para longe da boca da boneca formando uma massa branca com gosma de cuspe de boneca careca. Só ela viu.

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