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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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07 de December de 2008 |
 A carne jogada na mesa, misturada ao sangue que jorra por algumas veias ainda quentes.
A
cabeça rola ao chão, é chutada por botas ensangüentadas. Por pés
estranhos de humanos distraídos. No pescoço a marca da faca, um
profundo e vivo corte no pescoço morto.
A barrigada num tambor de
alumínio, pronto para ser jogado no rio da cidade. Servirá de alimentos
a peixes e urubus que buscam carne apodrecida nas margens.
Outro corte separa toda a costela. Uma escada de ossos por entre carne e gordura.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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07 de December de 2008 |
 Morar com os pais tem sempre o lado bom. Não precisar cozinhar, não precisar lavar as próprias roupas e principalmente, não precisar arrumar a cama.
Para Pedro essa era a melhor parte.
Tudo porque havia uma certa rixa entre Pedro e sua cama, mais precisamente, seu lençol.
Podia estar a cama muito bem arrumada, era só o rapaz deitar na cama e o lençol escorregava para fora. Se bem que Pedro nunca se deu ao trabalho de puxar o lençol antes de dormir, tinha preguiça de tal ato. Até porque toda vez que se dirigia à bendita quadrúpede, era somente para dormir.
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Apologia aos pés (Apélogia) |
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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21 de May de 2009 |
A mosca parada no chão, e por algum momento um sentimento destruidor tomou conta de mim, tudo o que eu queria era meter o pé naquela mosca e vê-la esmagada.
Lá fui eu com um forte pisão, mas a mosca em questão de segundos vou para longe, naquele momento percebi que fui derrotado por um simples inseto horrível, conclui que meus movimentos eram lentos em relação à mosca, ou então, faltava algo.
Pensei um pouco nos animais, os gatos por exemplo, possuem olhos na frente da cabeça, assim conseguem marcar suas presas e não as perdem de vista, dificilmente um rato consegue fugir do gato.Sendo assim, se eu possuísse olhos em meus pés, dificilmente a mosca fugiria do meu pisão.
Não é só isso, se eu possuísse olhos nos pés, dificilmente levaria um tropeção, pois de longe eu avistaria a pedra ou o obstáculo em minha frente. Sem contar que nunca mais iria pisar em cocô e cachorro, nem em espinhos, nem em toco de cigarro aceso, nada.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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07 de December de 2008 |
 Sempre tive uma admiração por todo tipo de lixeira. Em minha cidade vários tipos foram instalados nas ruas para que moradores e turistas depositassem seus dejetos em locais apropriados e não nas ruas e calçadas.
O grande problema de lixeiras públicas é o fato que vândalos sempre tem o prazer de destruí-las por nada. Lembro-me que, certa vez, foram instaladas lixeiras de concreto em vários pontos das ruas principais. Era inevitável a cidade acordar com os pedaços dos concretos ao chão, devido a marteladas, pauladas e até tiros.
Lixeiras de metal também foram experimentadas. E logo os marginais ateavam fogo, amassavam ou simplesmente arrancavam se seus lugares.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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21 de May de 2009 |
Em meio àquela choradeira, o pequeno garoto sussurra no ouvido da mãe, perguntando quem é aquele senhor que está ao lado do caixão. Sua mãe lhe responde com um olhar de lado que o homem se chama Arquimedes e já era esperado no velório.
Arquimedes, um senhor alto, pele clara, com umas mechas de cabelo branco acima da orelha, observava o defunto na sua estática palidez, a cunhada do morto lhe pede para sentar-se, e oferece umas rosquinhas de coco com café, ele aceita com um pequeníssimo sorriso, e fica esperando a hora do enterro.
Todos na cidade conheciam Arquimedes, sabiam de sua pequena fortuna, sabiam também que não tinha família, nenhum parente conhecido e sabiam ainda mais de sua fascinação por velórios e enterros.
A explicação por Arquimedes comparecer a todos os velórios era simples, diziam as boas línguas, ele comparece aos velórios para que, quando ele morrer, a cidade em peso compareça ao seu velório.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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09 de March de 2009 |
 Tudo ia completamente bem nas malharias de Jacutinga naquela tarde
ensolarada. As máquinas retilíneas com seus recs-recs intermináveis,
overloquistas que dirigiam sem freios os overloques velozes, máquinas
de costuras, goleiras...
Entretanto, o que nenhum retilinista, overloquista ou costureira
esperava estava por acontecer, a catástrofe estava prestes a pairar
sobre o céu de Jacutinga.
Milhares, milhões e porque não dizer, bilhões de agulhas resolvem de uma hora para outra saltarem das máquinas!
Isso mesmo! Como num passe de mágica os parafusos que seguram as
agulhas dos overloques eram meticulosamente soltos e as agulhas saiam
voando. Todas as réguas das máquinas retilíneas, máquinas de correias,
PS, Shima, Stoll etc. eram puxadas por uma força invisível e as agulhas
saltavam. Um batalhão de agulhas como numa correnteza de um rio desciam
por todas as ruas e avenidas de Jacutinga e se dirigiam para a praça
central da cidade.
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