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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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16 de August de 2010 |
Carlos, Josimar, Júlio César, Edinho, Branco, Elzo, Alemão, Sócrates, Júnior, Zico e “eu”
Eu mesmo.
Era essa a seleção que tinha em mente naquele final de 1986. Achava que jogando ao lado de Zico, o Brasil não teria sido eliminado da Copa no México.Só não sabia como uma criança de onze anos poderia estar nessa seleção, mas eu sonhava, era fácil sonhar quando criança.
Naquela época tudo o que eu fazia era jogar bola, claro que estudava, mas não gostava muito, só gostava mesmo era de jogar bola.
Não era nenhum futuro craque, mas fazia meus golzinhos de vez em quando. Na minha rua pintamos dois gols, fizemos as áreas, o meio campo e juntávamos a molecada para jogarmos bola, o único problema era a rua em ladeira e quando chutávamos descida abaixo o coitado do goleiro tinha que ir buscar a bola.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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22 de July de 2010 |
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I - A Morte do Dia
Aqui jaz o Dia
Enterrado no breu manchado de estrelas
Num cortejo fúnebre silencioso
Deixando lembranças para quem dorme.
Minha vida começa agora
Sob o luto das luzes de mercúrio
O som festivo dos necrófilos
Sua morte, minha ressurreição.
E enquanto as casas vão se apagando
Cães latem nos quintais
A Noite não chora pelo Dia
Mas deixa uma angústia obscura.
Estou sozinho na noite de angústias
Caminhando sem rumo por várias esquinas
Botecos, boates, malandros e prostitutas
O Dia que morreu deixou seus herdeiros.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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12 de July de 2010 |
- Você será responsável pelas bombas!
Ebraim olhou para todos em sua volta com um certo orgulho, pois seria dele uma das principais funções naquela noite.
- Não tenha dó, queremos muito barulho, queremos que todos saibam o que estaremos fazendo nesta cidade.
Houve um certo constrangimento, pois o mais velho do grupo queria ter o privilégio, como ele mesmo achava, de explodir tudo. Estava preparado para isso, por muito tempo esperava essa oportunidade, e durante quase meio ano estava ansioso para que o chefe lhe desse tal honra. Porém, os explosivos ficariam a cargo de Ebraim, e mesmo sendo tão jovem, todos sabiam de sua capacidade e sua fidelidade para aquele solene momento.
O chefe do grupo organizava as tarefas de cada um, tudo teria que sair conforme o planejado, caso contrário as autoridades e a população local poderiam desconfiar de sua capacidade e dessa forma seus planos futuros poderiam estar ameaçados.
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A Porta e a Sessão Coruja |
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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08 de June de 2010 |
Na antiga sala de casa, a porta de madeira havia empenada pela chuva e pelo sol. Existiam frestas onde se podia ver do outro lado.
Eu sempre ficava até a madrugada na sala assistindo a filmes da Sessão Coruja e sempre adormecia no sofá.
Lembro-me apenas que algumas sombras apareceram na janela de vidro de minha sala. Ladrões.
Amortecido pelo sono, tentava mover minhas pernas, balançar a cabeça, na esperança de sair da sala e avisar meus pais da presença de assaltantes rondando a casa.
Meu corpo não respondia a meu cérebro. Podia o assaltante disparar sua arma contra mim e eu morreria sem reagir. Num esforço monstruoso para mover o corpo, consigo, num solavanco, levantar-me do sofá e correr em direção à porta da sala. O que me importava era trancá-la para que os ladrões não conseguissem invadir minha casa
Pelas frestas da porta não avistava ninguém, e esta estava aberta. Virei a chave. Mas a porta continuava aberta. Virei a chave outras vezes e o trinco não se movia.
Temia que os assaltantes chegassem até a porta e eu não conseguisse segurá-los.
Talvez o trinco não estivesse no lugar certo e a fechadura estivesse desnivelada já que a porta estava empenada.
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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29 de April de 2010 |
- Está sabendo da criatura que anda atacando pessoas que passam pelo lago?
- Não. Que história é essa? Qual a bobagem dessa vez?
- Bobagem nada. Dizem que é verídico. Uma misteriosa criatura sai de dentro da água e corre atrás das pessoas.
- Corre atrás de quem? Nunca ouvi falar nisso!
- Bem, na verdade não corre atrás de todo mundo. Corre atrás apenas de motoboy.
- Motoboy? Mas, por que só motoboy?
- Na verdade não é todo motoboy, apenas entregadores de lanche.
- Ah! Vai me dizer que essa criatura gosta de lanche?
- Não é todo lanche não, apenas X-bacon.
- Mas que raios! Por que apenas X-bacon?
- Sei lá! Vai ver a criatura e viciada em bacon.
- Cê tá louco! Falando essa história por aí vai causar pânico na cidade. Todo mundo vai ficar com medo de passar no lago.
- Estou falando apenas o que ouvi. Se é verdade ou não, eu não sei.
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Vendendo a casa para pagar o IPTU |
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Por Rodrigo Alves de Carvalho
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22 de March de 2010 |
- Meu Deus do Céu! Vai aumentar mil por cento! Tô perdido! Misericórdia!
Seu Joaquim com as mãos na cabeça andava de um lado a outro no pequeno espaço entre o balcão e o freezer no boteco do Seu Antônio do Bar.Acabara de ouvir de uns pingaiadas no final daquela tarde que o prefeito iria aumentar o valor do IPTU em até 1000%.- Como é que eu faço? Labuto tanto para conseguir pagar a conta da luz e da água e agora essa cacetada!
Os pingaiadas também achavam um absurdo e ao verem o coitado do Seu Joaquim desesperado, pareciam doutores eloqüentes.
- Mil por cento é aumento que não acaba mais. Quem pagava cem, vai pagar mais de mil, quem pagava duzentos, vai pagar mais de dois mil.
Seu Joaquim sai do bar transtornado, nem conseguiu tomar suas oito doses habituais de cachaça, tomou apenas seis.
Ao chegar em casa, comunicou a tragédia à sua mulher Ana, que cosia umas meias furadas.
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