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Por Rodrigo Alves de Carvalho   
22 de July de 2010
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I - A Morte do Dia

Aqui jaz o Dia
Enterrado no breu manchado de estrelas
Num cortejo fúnebre silencioso
Deixando lembranças para quem dorme.

Minha vida começa agora
Sob o luto das luzes de mercúrio
O som festivo dos necrófilos
Sua morte, minha ressurreição.

E enquanto as casas vão se apagando
Cães latem nos quintais
A Noite não chora pelo Dia
Mas deixa uma angústia obscura.

Estou sozinho na noite de angústias
Caminhando sem rumo por várias esquinas
Botecos, boates, malandros e prostitutas
O Dia que morreu deixou seus herdeiros.

II - Bebamos!

Essas pessoas ridículas riem tanto
Entorpecidas por mais um copo de álcool
Por que me calo quando bebo tanto?
Ridículo mergulhado em desespero.

Então bebamos nesta noite!
Pela angústia ou pelo desespero
Bebamos apenas
Pela ridicularidade de nossas vidas.

E quando estivermos sem sentidos e embriagados
Esqueçamos quem somos por alguns instantes
Dançando na porta de um bar imundo
Alegres, desesperados e ridículos.

Porque a bebida amarga que insistimos em tomar
Não é tão amargo quanto o que somos
Perdidos, procurando um sentindo para sermos alegres
Desesperados para sermos sempre ridículos.


III - Apenas amor passageiro

Senta aqui comigo
Traga seu copo de bebida
Ajeite o cabelo, abra o decote
Sorria falsamente para mim.

Diga que está tudo bem nesta noite
E aqui não há motivos para tristeza
Me convença a fazer amor sem pudores
Ou diga apenas que seria o melhor.

Procure minhas mãos, minhas pernas, meu sexo
Seja descarada, mais ainda assim carinhosa
E que seu perfume barato seja forte
E que o cheiro de seu cigarro fique em minha roupa.

Assim me lembrarei de mais um amor passageiro
Amor que custa o que custa qualquer amor
Mas, tão rápido e tão intenso
Dura apenas algumas doses de uísque.


IV - A Madrugada

Na madrugada o vento fere a alma
Caminhando pela cidade solitário e ébrio
Buscando em cada ser da noite um pouco de conforto
Em uma palavra, um gesto ou mesmo na indiferença.

O tempo é curto e a cada minuto vamos morrendo
É preciso valer a pena viver a noite
Mais um boteco, mais uma bebida, mais uma vadia
E tudo gira, fervilha, e não sai do lugar.

Os amigos foram esquecidos em algum bar distante
As amantes ficaram perdidas por falta de amor
No bolso alguns trocados e a chave de casa
E nos olhos uma insuportável vontade de chorar.

Mais uma porta que se fecha
E novamente passos descompassados
Que caminham em direção ao nada
Procurando alguém que nunca vai voltar.


V - No final da noite

Quando via seu reflexo no espelho manchado
Olhos, boca, sexo e pernas
Num salão imaginário e reluzente dançava.
A música ouvida no final da noite.

A festa acabada no click do interruptor
Camas desarrumadas e lençóis pelo chão
A inevitável vontade de sentir seu calor.
Os sussurros no final da noite.

Hoje apenas a bebida numa mesa de bar
Gélidas lembranças em dois copos vazios
Quando cerrou seus olhos e matou meu sol.
O lamento ouvido no final da noite.

Silêncio. Tudo agora e um eterno silêncio.
Somente a embriagues de quem se tornou notívago
A porta se fechou e talvez não abra mais.
Não há mais nada a ouvir no final da noite.



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