- Você será responsável pelas bombas!
Ebraim olhou para todos em sua volta com um certo orgulho, pois seria dele uma das principais funções naquela noite.
- Não tenha dó, queremos muito barulho, queremos que todos saibam o que estaremos fazendo nesta cidade.
Houve um certo constrangimento, pois o mais velho do grupo queria ter o privilégio, como ele mesmo achava, de explodir tudo. Estava preparado para isso, por muito tempo esperava essa oportunidade, e durante quase meio ano estava ansioso para que o chefe lhe desse tal honra. Porém, os explosivos ficariam a cargo de Ebraim, e mesmo sendo tão jovem, todos sabiam de sua capacidade e sua fidelidade para aquele solene momento.
O chefe do grupo organizava as tarefas de cada um, tudo teria que sair conforme o planejado, caso contrário as autoridades e a população local poderiam desconfiar de sua capacidade e dessa forma seus planos futuros poderiam estar ameaçados.
Ebraim não pensava no futuro, para ele pouco
importava o que viria depois daquela noite, seu único pensamento era
cumprir sua missão da melhor maneira possível, ou seja, explodindo
tudo, para a estupefação de todos.
Pensava numa maneira de fazer as bombas espocarem sem parar, numa
seqüência de tirar o fôlego das pessoas, que por sorte estariam vivas
para presenciar tal ato pirotécnico.
Era isso que Ebraim pensava em sua insaciável vontade de mandar tudo para os ares.
- A partir dessa noite as pessoas que presenciarem esse feito nunca mais esquecerão. Ficará marcado em suas vidas para sempre.
Após a reunião ser encerrada, Ebraim foi para casa e rabiscava num
papel todo o esquema para as explosões, calculou os melhores lugares,
teve um pouco de receio, como é normal, que algo saísse errado, pois
muitas crianças estariam no local e ele não queria atingir um inocente.
Os dias passaram rápido, e a grande noite finalmente estava chegando.
Ebraim trabalhou bastante e ao entardecer levou os explosivos para o
centro da cidade, onde cuidadosamente os posicionou em lugares
estratégicos para que as explosões fossem perfeitas.
Quando anoiteceu, o grupo novamente se reúne na praça central, onde
esperam ansiosamente que a população se aglomere para aquela noite
festiva.
Quando a praça estava repleta, o chefe dá o sinal para Ebraim:
- É chegada a hora das explosões.
Mais que depressa Ebraim se posiciona em um local seguro e detona os
explosivos, causando um grande impacto em todos que admirados
observavam os fogos no céu.
Na mesma hora o chefe grita para seus ajudantes:
- Tragam a pipoca, o pinhão, o vinho quente e o quentão que essa festa junina vai ser a melhor de todas uai!
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