Na antiga sala de casa, a porta de madeira havia empenada pela chuva e pelo sol. Existiam frestas onde se podia ver do outro lado.
Eu sempre ficava até a madrugada na sala assistindo a filmes da Sessão Coruja e sempre adormecia no sofá.
Lembro-me apenas que algumas sombras apareceram na janela de vidro de minha sala. Ladrões.
Amortecido pelo sono, tentava mover minhas pernas, balançar a cabeça, na esperança de sair da sala e avisar meus pais da presença de assaltantes rondando a casa.
Meu corpo não respondia a meu cérebro. Podia o assaltante disparar sua arma contra mim e eu morreria sem reagir. Num esforço monstruoso para mover o corpo, consigo, num solavanco, levantar-me do sofá e correr em direção à porta da sala. O que me importava era trancá-la para que os ladrões não conseguissem invadir minha casa
Pelas frestas da porta não avistava ninguém, e esta estava aberta. Virei a chave. Mas a porta continuava aberta. Virei a chave outras vezes e o trinco não se movia.
Temia que os assaltantes chegassem até a porta e eu não conseguisse segurá-los.
Talvez o trinco não estivesse no lugar certo e a fechadura estivesse desnivelada já que a porta estava empenada.