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A Porta e a Sessão Coruja E-mail
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
08 de June de 2010
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Na antiga sala de casa, a porta de madeira havia empenada pela chuva e pelo sol. Existiam frestas onde se podia ver do outro lado.
Eu sempre ficava até a madrugada na sala assistindo a filmes da Sessão Coruja e sempre adormecia no sofá.
Lembro-me apenas que algumas sombras apareceram na janela de vidro de minha sala. Ladrões.
Amortecido pelo sono, tentava mover minhas pernas, balançar a cabeça, na esperança de sair da sala e avisar meus pais da presença de assaltantes rondando a casa.
Meu corpo não respondia a meu cérebro. Podia o assaltante disparar sua arma contra mim e eu morreria sem reagir. Num esforço monstruoso para mover o corpo, consigo, num solavanco, levantar-me do sofá e correr em direção à porta da sala. O que me importava era trancá-la para que os ladrões não conseguissem invadir minha casa
Pelas frestas da porta não avistava ninguém, e esta estava aberta. Virei a chave. Mas a porta continuava aberta. Virei a chave outras vezes e o trinco não se movia.
Temia que os assaltantes chegassem até a porta e eu não conseguisse segurá-los.
Talvez o trinco não estivesse no lugar certo e a fechadura estivesse desnivelada já que a porta estava empenada.
Segurando dos lados suspendi a porta um pouco para chegar o trinco até a fechadura, mas a chave não fazia o trinco acertar a fechadura. Barulhos na janela indicavam que os ladrões estavam tentando entrar.
Em outro esforço, a porta ultrapassa os batentes e abre ao contrário (para fora). Desesperado, procuro chegar a porta até o batente, mas estes são largos demais e a fechadura não mais alcança o trinco.
Procuro de todo modo, fazer com que a porta também se alargue, puxo a tábua para os lados, mas a porta fica solta e não mais encosta ao batente.
E se os ladrões aparecessem na minha frente naquele momento?
Para tentar bloquear a entrada, arrasto o sofá para frente da porta. Mas já não havia mais porta. Apenas o portal e o sofá que qualquer bandido podia passar por cima.
Corro em direção ao quarto de meus pais. Não estavam lá.
Os barulhos na janela aumentam. E o telefone era a única saída. Ligaria para a polícia, diria que um assalto estava acontecendo na Rua Tancredo Neves número 1500. Próximo ao Lava-Jato Escobar. Todos na cidade sabiam onde era esse Lava-Jato, era um ponto de referência fácil para que os policiais chegassem logo. Era melhor mencionar o Lava-Jato do que esperar que a polícia procurasse número por número até chegar à minha casa que era 1500.
O telefone branco estava sobre a mesinha da sala. Novamente cauteloso me abaixei. Observando as sombras na janela e o barulho no vidro.
Apanhei o telefone e tentei discar 190. Mas não conseguia girar o discador. Girava o um, mas o nove não conseguia completar até o fim. O dedo soltava-se e não completava a ligação. Tentei por várias vezes, mas não conseguia girar nove. O telefone só dava sinal de ocupado.
Novamente me vi sem ter o que fazer.
Corri para o sofá e me cobri com o cobertor. Esperei por alguns segundos e quando descobri o rosto, o filme da sessão coruja já havia terminado.



Comentários (1)
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08-06-2010 18:41
sufoco
já tive sonhos assim, tentava correr de alguem e não conseguia saer do lugar. tentava falar e a gvoz não saia, é um sufoco. :eek
carol

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