- Se eu ganhasse cinco quilos já estaria bom!
Alberto apertava os ossos de sua costela em frente ao espelho enquanto pensava que alguns quilos poderiam esconder a quantidade de ossos que saltavam de seu corpo, principalmente quando aspirava o ar com toda força de seu pulmão.
Estava com 20 anos, e para maior desespero, era muito alto, tinha um pouco mais de um metro e noventa, mas nunca conseguiu chegar aos setenta quilos.
Tentou vários métodos que os amigos lhe aconselharam como tomar dois litros de leite por dia (o que lhe causou uma diarréia que fez emagrecer ainda mais), comeu três barras grandes de chocolate (e a diarréia lhe atacou novamente, sem contar que seu rosto pareceu um chuchu de tanta espinha), tomou inúmeros abridores de apetite, vitaminas, supercalóricos etc, mas quando subia na balança: sessenta e oito quilos.
Seu complexo aumentava ainda mais, ao ver seus amigos, altos ou baixos com o peso na medida certa, alguns mais gordinhos que outros, porém, o pior de tudo e o que mais acabava com a estima de Alberto, era ver que todos tinham ou tiveram um namorico, uma ficada ou até alguma paquera pendente.
- E o magrelo nunca deu um beijo em sua vida. Vinte anos e nem um selinho sequer...
Quase não saia de casa, após terminar o colegial arrumou um emprego noturno em uma confecção. Preferia o horário noturno pois quase ninguém via andando pelas ruas na ida ou na volta do trabalho.