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Poemas
Notívagos E-mail
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
22 de July de 2010
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I - A Morte do Dia

Aqui jaz o Dia
Enterrado no breu manchado de estrelas
Num cortejo fúnebre silencioso
Deixando lembranças para quem dorme.

Minha vida começa agora
Sob o luto das luzes de mercúrio
O som festivo dos necrófilos
Sua morte, minha ressurreição.

E enquanto as casas vão se apagando
Cães latem nos quintais
A Noite não chora pelo Dia
Mas deixa uma angústia obscura.

Estou sozinho na noite de angústias
Caminhando sem rumo por várias esquinas
Botecos, boates, malandros e prostitutas
O Dia que morreu deixou seus herdeiros.

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Sempre existem as putas E-mail
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
06 de March de 2010
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Se a situação está difícil
Falta de grana, patrão chato
E quase ninguém te escuta
Saibas que está tudo bem
Pois sempre existem as putas

Se mulheres te desprezam
Por não ser rico ou sarado
E nem for campeão de luta
Não se desespere
Pois sempre existem as putas

Se tua mulher te traiu
Não deu valor a quem você é
E nunca esperou dela tal conduta
Amigo, ela que se dane
Pois sempre existem as putas

Se a liberdade é o que nos convém
Festas, botecos e amores passageiros
Nessa nossa vida curta
Voe como um passarinho
Pois sempre existem as putas

Comentários (1)

 
Morte Rival E-mail
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
05 de March de 2010
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Tudo gira sem parar
As fotos, as roupas e as lembranças
O tempo avança e retroage
E a cabeça prestes a estourar

Não tenho pernas para dar o passo
Não sinto meu coração bater no peito
Inútil esperar algo de lógico
Esperança de voltar ao passado.

Me transformei nisso jogado na cama
Uma mistura de homem com saco de lixo
A terrível sensação de impotência
Na certeza de não mais ter o que se ama

E não adianta me fazer de forte
Pois a perda não foi simplesmente uma troca
Quem perdi nunca mais volta
Não reconquisto um amor da morte.


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Inauguração E-mail
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
30 de September de 2009
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Gritos de dor.
Não de dente.
De gente.

Dilatação.
Concentração.
Desfiguração.
Excitação?

Aponta a cabeça
A conta. Esqueça!
Leve cheiro de sangue no ar.
E uma insuportável vontade de chorar.

Cortado o cordão umbilical
Agora é por minha conta.
Viver não é tão bom quanto nascer
Ninguém me dará tanta atenção como me deram
No dia em que fui inaugurado.

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Desestrutura E-mail
Por Rodrigo Alves de Carvalho   
30 de September de 2009
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Por que as crianças gritam tanto?
Por que as crianças correm tanto?
Por que as crianças riem tanto?
Por que as crianças são felizes?

Disseram que a infância estrutura um adulto.
Gritam, correm, riem e são felizes.
Quando adultos herdarão essas características.
Viva a liberdade infantil!

Para mim a infância foi um lapso.
Escondido em pátios de escola
Fechado num invólucro de medos
Esqueci que eu era criança.

Não gritei
Não corri
Não ri
E não fui feliz

Talvez por isso me transformei num crítico.

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